Lutero avista Roma – Ferdinand Pauwels

Luther sees Rome (Luther sieht Rom / Luther in Rom / Lutero avista Roma), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

Luther sees Rome (Luther sieht Rom / Luther in Rom / Lutero avista Roma), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels (German Belgian-born Academic Painter, 1830-1904), oil on canvas, 85 x 72 cm, Wartburg Foundation (Wartburg-Stiftung), Eisenach, Germany.

Em 1510, sete mosteiros da ordem Agostiniana tiveram uma divergência com o seu vigário geral. Lutero foi escolhido para ir a Roma e defender a sua causa. Tornou-se urgente recorrer ao arbitramento de alguém importante; um cardeal romano talvez bastasse para resolver o litígio que surgira. Juntamente com outro monge, Lutero realizou uma viagem que  o marcou definitivamente. De fato, ele pensava que aquela seria a peregrinação espiritual mais importante de sua vida.  Ele recebeu dez florins de ouro para cuidar de suas necessidades. Para ir ao centro do poder e pensamento Católico, os dois monges viajaram a pé e encontraram alimentação e alojamento em mosteiros ao longo do caminho. Em Erfurt, Lutero ficava incomodado pela vida opulenta, pela moral frouxa e pela falta de interesse nas coisas espirituais entre os monges que os visitavam. No entanto, Lutero ainda nutria grandes expectativas para a própria Roma. Além disso, ele pensava que se prestasse suas homenagens nos “altares dos apóstolos” e se confessasse lá, “naquela santa cidade”, ele asseguraria o maior perdão possível. Considerava que essa seria uma forma segura de conquistar o favor de Deus. Quando avistou pela primeira vez o Capitólio papal, ele teria clamado: “Salve, santa Roma! Três vezes santa pelo sangue dos mártires derramado aqui!”. Estava, assim, tão extasiado como um peregrino judeu ao capturar seu primeiro vislumbre de Jerusalém.

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De fins de 1510 a princípios de 1511, Lutero permaneceu em Roma para tratar dos assuntos de sua ordem, e ali sentiu-se chocado com o secularismo da Igreja e o baixo nível moral da cidade. Ele tentou se imergir no fervor religioso de Roma, visitando, para tanto, os túmulos dos santos, realizando atos ritualísticos de penitência, etc. Mas logo ele percebeu uma alarmante inconsistência. Ao olhar ao redor para o Papa, os cardeais e os sacerdotes, ele não conseguia ver qualquer justiça. Pelo contrário, ele ficou perplexo com a corrupção, ganância e imoralidade. Chamou a sua atenção as maneiras do clero, cujos modos precipitados, superficiais e ímpios de celebrar a missa foram severamente por ele criticados. Horrorizou-se com as histórias que corriam sobre as indecências da família Bórgia (do Papa Alexandre VI, falecido em 1503) e de outros altos escalões da cúria papal. O historiador da igreja Philip Schaff salienta que o jovem Lutero “ouviu sobre os escabrosos crimes dos [Papas anteriores], desconhecidos na Alemanha, mas proclamados livremente como fatos indubitáveis na memória recente de todos os romanos”. Fora-lhe dito que “se havia um inferno, Roma fora construída sobre ele”, e que esse estado de coisas iria colapsar em breve. Assim, ao invés de encontrar a confirmação da fé na “Cidade Santa”, algo que reforçasse a sua crença, Lutero entendeu Roma como a revivência da antiga Babilônia, a “Grande Meretriz” dos textos proféticos bíblicos.

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Tão logo ajustou a disputa que havia motivado a sua viagem, Martinho Lutero retornou para Erfurt e depois, ainda em 1511, foi transferido definitivamente para Wittenberg, na baixa Saxônia. Passou novamente a morar no mosteiro agostiniano, a fim de se preparar para ser o professor de teologia na Universidade de Wittenberg, no lugar de Johann Von Staupitz, o superior da ordem. Von Staupitz firmou-se como mentor e conselheiro espiritual de Lutero, e será uma âncora para Lutero, durante as diversas crises pelas quais passará o reformador. Em Wittenberg Lutero lecionou Filosofia Moral, e onde, em 19 de outubro de 1512, aos vinte e nove anos, foi constituído doutor em teologia, sob os auspícios de Frederico III, da Saxônia, que frequentemente lhe ouvia pregar, e que estava familiarizado com o seu mérito, e que lhe reverenciava muito. Em Wittenberg, onde passaria o resto da vida, a consciência de Lutero não conseguia mais descanso – ainda mais depois de uma viagem tão marcante, em que tudo quanto encontrara foi falência espiritual. Crescera-lhe ainda mais o antigo dilema espiritual: se ele era injusto, apesar de seus melhores esforços, como ele poderia ser feito justo perante um Deus santo e justo?

A tela de Ferdinand Pauwels retrata Lutero e o outro monge diante de uma ampla paisagem da região do Lácio. Lá ao fundo, no plano inferior direito do cenário, emerge ainda minúsculo o capitólio romano. O segundo monge, encurvado, apoia-se em um bordão. Em saliente contraste, a despeito da longa viagem, o jovem monge Lutero encontra-se plenamente de pé. Seus olhos já avistaram Roma e agora erguem-se aos céus. Os lábios saúdam o antigo centro do mundo antigo e capital da Cristandade latina. Os braços se seguem estendidos: a mão esquerda transmite ao observador da cena a impressão de reconhecer uma graça recebida; a mão direita direciona-se à expressão material dessa graça, a saber, ao coração do catolicismo ocidental, cuja fé celebra a milenar cidade como a dos sepulcros dos apóstolos Pedro e Paulo e de inumeráveis outros cristãos.

Confira ainda: 1) O jovem Lutero canta diante da senhora Ursula Cotta em Eisenach – Ferdinand Pauwels, 2) Amigo de Lutero atingido por um raio – Ferdinand Pauwels, 3) A Entrada de Lutero no Mosteiro – Ferdinand Pauwels; 4) Lutero Descobre a Bíblia – Ferdinand Pauwels; 5) Martinho Lutero Descobrindo a Justificação pela Fé – Edward Matthew Ward e 6) Erasmo, Lutero e o “Livre Arbítrio”. Recomendo ainda a leitura de “Os 500 anos da Reforma Protestante, que abalou o mundo”, pela jornalista Míriam Leitão, aqui.

Lutero Descobre a Bíblia – Ferdinand Pauwels

Luther discovers the Bible (Luther entdeckt die Bibel / Luther a découvert la Bible / Lutero Descobre a Bíblia), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

Luther discovers the Bible (Luther entdeckt die Bibel / Luther a découvert la Bible / Lutero Descobre a Bíblia), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels (German Belgian-born Academic Painter, 1830-1904), oil on canvas, 120 × 120 cm, Wartburg Foundation (Wartburg-Stiftung), Eisenach, Germany.

Ao celebrar a sua primeira missa, o jovem sacerdote Martinho Lutero tremia, pois não conseguia entender as palavras da missa enquanto um sacrifício a Deus. O temor de tal maneira tomou conta dele que mal pôde terminar o serviço religioso. A perfeita santidade de Deus era motivo de grande temor para Lutero. O Senhor exige santidade de todos aqueles que a ele se achegam, e Lutero reconhecia-se um pecador na presença de Deus. As provisões da confissão auricular (revelar seus pecados ao sacerdote e ouvir dele a pronúncia do perdão) e da vida monástica, fazendo boas obras para agradar a Deus, não aquietavam a sua alma. De fato, chegou mesmo a agasalhar em seu coração raiva de Deus, por este lhe inflingir tanta miséria.

DETAIL: Luther discovers the Bible (Luther entdeckt die Bibel / Luther a découvert la Bible / Lutero Descobre a Bíblia), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

Enquanto no mosteiro, Lutero começou o estudo sério de teologia. Dedicou-se ali à leitura das obras de Santo Agostinho e dos escolásticos. Por um lado, tais estudos só fizeram aguçar sua luta interior. Certa ocasião, ao vasculhar a biblioteca, encontrou, acidentalmente, um exemplar da Bíblia latina que jamais houvera visto antes. Esta atraiu poderosamente a sua curiosidade; leu-a ansiosamente e sentiu-se atônito ao perceber que apenas uma pequena porção das Escrituras era ensinada ao povo. Durante seu tempo no mosteiro, Johann Von Staupitz (ca. 1460-1524), teólogo e professor universitário alemão, vigário geral da Ordem Agostiniana na Alemanha e superior de Lutero, exerceu sobre este considerável influência, sendo-lhe o confessor. De fato, Lutero encontrou auxílio nos conselhos do piedoso Von Staupitz, que lhe aconselhou a confiar em Deus e a estudar a Bíblia.

DETAIL: Luther discovers the Bible (Luther entdeckt die Bibel / Luther a découvert la Bible / Lutero Descobre a Bíblia), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

DETAIL: Luther discovers the Bible (Luther entdeckt die Bibel / Luther a découvert la Bible / Lutero Descobre a Bíblia), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

Lutero viveu e estudou no mosteiro em Erfurt até 1511. Entretanto, por indicação de Von Staupitz, que reconhecia em Lutero uma erudição e inteligência incomuns, em 1508 ele foi designado professor na Universidade de Wittenberg, fundada em 1502 por Frederico, o Sábio, duque da Saxônia e presidente do conselho que elegia o imperador do Sacro Império Romano da Nação Alemã. Em Wittenberg, Lutero ficou no mosteiro agostiniano e, por um semestre, lecionou filosofia moral na Universidade ao mesmo tempo em que prosseguiu seus estudos de teologia, instruindo-se principalmente nas línguas grega e hebraica. A 09 de março de 1509 obteve o grau de bacharel em estudos bíblicos. Naquele mesmo ano, isto é, em 1509, Lutero retornou a Erfurt e passou a lecionar dogmática no Estudo Geral da Ordem.

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Em sua tela, Ferdinand Pauwels retrata agora Lutero em seu uniforme de hábito preto, e com a tonsura característica dos monges do mosteiro agostiniano. Lutero encontra-se na biblioteca, e, de pé, examina ávida e atentamente o grande livro. Ele manuseia com as duas mãos a Bíblia e o olhar está devidamente direcionado. Os demais livros são ignorados neste momento; o pintor os situa às costas do monge. Todos os demais livros estão fechados, e apenas a Bíblia está aberta. A impressão que se tem, quando se observa o olhar e a postura corporal, é que Lutero experimenta uma ambivalência: uma surpresa que ao mesmo tempo o atrai e também o assusta. Tal ambivalência coloca-o na posição tensa entre o aproximar-se ou não da letra e do espírito daquele livro. Inevitavelmente, em algum momento essa tensão terá que ser resolvida, em uma direção ou outra.

DETAIL: Luther discovers the Bible (Luther entdeckt die Bibel / Luther a découvert la Bible / Lutero Descobre a Bíblia), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

Confira ainda: 1) O jovem Lutero canta diante da senhora Ursula Cotta em Eisenach – Ferdinand Pauwels, 2) Amigo de Lutero atingido por um raio – Ferdinand Pauwels, 3) A Entrada de Lutero no Mosteiro – Ferdinand Pauwels; 4) Martinho Lutero Descobrindo a Justificação pela Fé – Edward Matthew Ward e 5) Erasmo, Lutero e o “Livre Arbítrio”. Recomendo ainda a leitura de “Os 500 anos da Reforma Protestante, que abalou o mundo”, pela jornalista Míriam Leitão, aqui.

A Entrada de Lutero no Mosteiro – Ferdinand Pauwels

DETAIL: Luther's entry into the monastery (Luthers Eintritt ins Kloster / Luther im Augustiner-Kloster zu Erfurt / Luthers Aufnahme im Augustinerkloster Erfurt / A Entrada de Lutero no Mosteiro), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

DETAIL: Luther’s entry into the monastery (Luthers Eintritt ins Kloster / Luther im Augustiner-Kloster zu Erfurt / Luthers Aufnahme im Augustinerkloster Erfurt / A Entrada de Lutero no Mosteiro), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels (German Belgian-born Academic Painter, 1830-1904), oil on canvas, 121 x 135.5 cm, Wartburg Foundation (Wartburg-Stiftung), Eisenach, Germany.

A entrada de Lutero no mosteiro dos eremitas agostinianos, em Erfurt, deu-se em 17 de julho de 1505, duas semanas após o incidente da tempestade e dos raios. O referido mosteiro era de uma ordem muito austera. Em cerimônia especial, Lutero foi feito noviço ou principiante. Ajoelhado diante do prior – monge responsável pelo mosteiro – suplicou de Deus a graça e a misericórdia. O prior lhe fez perguntas sobre a sua vida passada e relembrou-lhe de que a vida que estava para enfrentar seria difícil. Enquanto um coro de monges cantava um hino, Martinho vestiu o hábito branco e o manto preto por sobre ele. Um monge raspava o topo da cabeça, o que é conhecido como tonsura. Foi-lhe dado um pequeno solidéu preto para que o usasse todo o tempo. Desse momento em diante, seria chamado de “Irmão Martinho”. Durante os dois primeiros meses, Lutero foi cuidadosamente observado. Se mudasse de ideia, poderia ainda deixar o mosteiro. Mas seu único pensamento era manter a promessa feita a Sant’Ana.

Luther's entry into the monastery (Luthers Eintritt ins Kloster / Luther im Augustiner-Kloster zu Erfurt / Luthers Aufnahme im Augustinerkloster Erfurt / A Entrada de Lutero no Mosteiro), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

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DETAIL: Luther's entry into the monastery (Luthers Eintritt ins Kloster / Luther im Augustiner-Kloster zu Erfurt / Luthers Aufnahme im Augustinerkloster Erfurt / A Entrada de Lutero no Mosteiro), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

O desapontamento de muitos levou-os a uma grande indagação: “Por que um jovem e promissor estudante de Direito haveria de mudar tão repentinamente, e tornar-se um monge?” Interiormente, Martinho era dominado pelo sentimento de pecado e culpa. Como um monge, ele poderia despender todo o seu tempo em meditação religiosa, oração e boas obras. Ele temia o inferno e o purgatório e anelava obter a salvação. Mas sentia ser impossível obtê-la por si mesmo, embora se esforçasse. Sem a certeza de que os seus pecados tinham sido perdoados, Lutero tinha um medo terrível da morte. Esse medo deitou raízes profundas enquanto estudava em Erfurt. Certo dia ele feriu-se acidentalmente na perna, com sua espada. O sangue jorrou abundante e a perna começou a inchar. Pensando que ia morrer, teria clamado: “Ó Maria, ajude-me”. Um médico estancou o sangramento e a perna sarou, mas Lutero tremia toda vez que pensava em como tinha estado próximo à morte.

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DETAIL: Luther's entry into the monastery (Luthers Eintritt ins Kloster / Luther im Augustiner-Kloster zu Erfurt / Luthers Aufnahme im Augustinerkloster Erfurt / A Entrada de Lutero no Mosteiro), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

DETAIL: Luther's entry into the monastery (Luthers Eintritt ins Kloster / Luther im Augustiner-Kloster zu Erfurt / Luthers Aufnahme im Augustinerkloster Erfurt / A Entrada de Lutero no Mosteiro), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

Durante seus anos como noviço, Lutero aprendeu o estilo de vida do mosteiro. Ocupava uma pequena cela sem aquecimento, com menos de sete metros quadrados, tendo por mobília uma mesa, uma cadeira e uma cama de palha. Como exercício, os monges caminhavam em duplas pelo pátio. Sete vezes ao dia iam à capela para sessões de adoração. “Irmão Martinho” aprendeu a passar com duas refeições por dia, ou uma apenas, se fosse dia especial de jejum. Em sua cela, passava longas horas em oração, leitura e meditação profunda. Dedicou-se intensamente às autoflagelações e à confissão. Assim passou-se o ano do noviciado, e Lutero parecia ter obtido paz de espírito. Ao fim desse período, ele fez os seus últimos votos monásticos, a saber, os votos de pobreza, de castidade e de obediência. Em sua ordenação, atirou-se horizontalmente sobre o chão, com os braços entendidos, em forma de cruz. O prior o aspergiu com água benta, e o coro entoou canções tristes pela morte do velho homem e canções jubilosas pelo nascimento do novo. Lutero era inteiramente um monge ao levantar-se. Logo depois disso, ele foi escolhido para tornar-se sacerdote. Durante oito ou nove meses estudou os livros que expunham os sacramentos. Sua ordenação aconteceu em 4 de abril de 1507, e em 2 de maio Lutero celebrou a sua primeira missa, para qual convidou o pai.

DETAIL: Luther's entry into the monastery (Luthers Eintritt ins Kloster / Luther im Augustiner-Kloster zu Erfurt / Luthers Aufnahme im Augustinerkloster Erfurt / A Entrada de Lutero no Mosteiro), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

Atualmente, o Mosteiro Protestante Agostiniano em Erfurt é um monumento ímpar do estilo arquitetônico das ordens religiosas na Idade Média. É um importante centro nacional e internacional da Reforma Protestante e reconhecido como local para convenções, eventos culturais, turismo e peregrinação.

Em sua tela, Ferdinand Pauwels retrata o momento em que Lutero é recebido no mosteiro. O jovem Lutero traja as vestes seculares e traz sob o braço esquerdo dois volumosos livros que preservara. Ele tem o olhar focado em sujeição, com a cabeça levemente inclinada, sobre a qual ainda não se aplicou a tonsura, semelhante àquela dos dois clérigos que o recebem. Os monges vestem o uniforme negro de hábito e têm as faces enrugadas. O prior do mosteiro oferece as mãos, acolhendo com elas a direita de Lutero. O gesto é de boas vindas, mas tudo sinaliza austeridade. Os olhares deixam claro que o momento é de solenidade e compromisso. Antecipa-se um penoso tempo adiante. O segundo monge está ao fundo, à entrada da clausura, de onde se tem um pequeno vislumbre do azul celeste. Este monge repousa a mão direita sobre o peito; o braço esquerdo encontra-se estendido rente ao corpo e a mão porta um claviculário com grandes chaves. Estas relembram as pesadas e rangentes portas de madeira do lugar, que será a residência do jovem Martinho pelos próximos anos. 

Confira ainda: 1) O jovem Lutero canta diante da senhora Ursula Cotta em Eisenach – Ferdinand Pauwels, 2) Amigo de Lutero atingido por um raio – Ferdinand Pauwels, 3) Martinho Lutero Descobrindo a Justificação pela Fé – Edward Matthew Ward e 4) Erasmo, Lutero e o “Livre Arbítrio”. Recomendo ainda a leitura de “Os 500 anos da Reforma Protestante, que abalou o mundo”, pela jornalista Míriam Leitão, aqui.

O jovem Lutero canta diante da senhora Ursula Cotta em Eisenach – Ferdinand Pauwels

Martin Luther singing to Frau Cotta when he was a student in Eisenach (Luther als Kurrende-Sänger bei Frau Cotta / Luther singt als Kurrendeschüler vor Frau Cotta in Eisenach, Germany, 1499 / O jovem Lutero canta diante da senhora Ursula Cotta em Eisenach), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

Martin Luther singing to Frau Cotta when he was a student in Eisenach (Luther als Kurrende-Sänger bei Frau Cotta / Luther singt als Kurrendeschüler vor Frau Cotta in Eisenach, Germany, 1499 / O jovem Lutero canta diante da senhora Ursula Cotta em Eisenach), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels (German Belgian-born Academic Painter, 1830-1904), oil on canvas, 135 × 120 cm, Lutherhaus, Eisenach, Germany.

Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, em Eisleben, na região da Turíngia, Alemanha, onde seus pais estabeleceram-se após o casamento. Era o segundo dos oito filhos de uma família de origem camponesa. Apenas um dia depois de seu nascimento, ele foi batizado na Igreja de São Pedro e São Paulo e, segundo costume da época, recebe o nome do santo do dia: Martinho. No ano seguinte a família de Lutero mudou-se para para Mansfeld, onde seu pai pretendia trabalhar nas minas de cobre. Aos quatro anos e meio, o menino Lutero foi matriculado na escola primária (Triviumschule). Foi assim educado no rigor do catolicismo medieval, tanto no ambiente familiar quanto na escola. Aos seis anos Lutero já falava o latim. Em 1497, quando contava com quatorze anos, com o objetivo de estudar em escola melhor, ele viajou para Magdeburgo, deixando sua família. Passou a depender das dádivas de pessoas caridosas, a fim de obter o seu sustento. O colégio era gratuito, mas os alunos precisavam cuidar de sua própria alimentação. Alguns alunos mendicavam. Tendo contato com a música desde quando era bem pequeno, a opção de Lutero, entretanto, foi cantar diante das casas dos ricos para receber doações. Naquele tempo parece que esta prática era comum. Os Carolers (Kurrende, em alemão) eram os meninos estudantes que, sob a orientação de um aluno senior, moviam-se de casa em casa ou em eventos (casamentos, funerais, etc), com o propósito de cantar a fim de obter algum donativo financeiro. Lutero é tido como um modelo de um Kurrendesängers. Lutero estudou um ano em Magdeburgo e a falta de recursos obrigou-o a abandonar os estudos por algum tempo. Em 1498, quando completou quinze anos, seus pais o enviaram para Eisenach, onde passou a frequentar a Escola da Igreja de São Jorge, a fim de preparar-se para a universidade. O Mestre Trebonius e os outros professores em Eisenach eram homens distintos e contribuíram para que os três anos de Martinho ali fossem muito proveitosos.

DETAIL: Martin Luther singing to Frau Cotta when he was a student in Eisenach (Luther als Kurrende-Sänger bei Frau Cotta / Luther singt als Kurrendeschüler vor Frau Cotta in Eisenach, Germany, 1499 / O jovem Lutero canta diante da senhora Ursula Cotta em Eisenach), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

Muitos parentes residiam em Eisenach, porém estes não o ajudaram, e novamente Lutero passou a cantar e orar diante das casas para receber donativos. Em uma tarde, depois de ter pedido em diversas portas sem resultado, chegou a uma residência onde não foi repelido. Ursula Cotta era uma senhora piedosa e uma mãe dedicada. Era a esposa de um nobre comerciante e prefeito de Eisenach, Conrad Cotta. Frau Cotta simpatizou-se com os cânticos e as fervorosas orações do jovem Lutero e apreciava a sua voz agradável. Assim, num certo dia convidou-o a entrar e a partilhar da mesa e que se hospedasse em sua casa. Martinho conquistou os corações da família e todos ali o receberam como a um filho. Junto a esta família a vida de Lutero experimentou uma grande mudança, e seu caráter foi positivamente moldado. Foi nesta casa, com esta família alegre e piedosa, que Lutero também aprendeu a tocar alaúde. Durante os quatro anos em que estudou hospedado no lar de Ursula Cotta (1498-1501), Lutero teve não apenas um lar e sustento material, mas também desfrutou dos cuidados de uma “mãe”. Ele passou a dar lições ao pequeno Henry Schalbe, parente da senhora Cotta. Lutero cresceu em estreito contato com essas pessoas, vivendo com os Cotta e tomando refeições com os Schalbe. Com tão bons amigos e professores em Eisenach, não admira que ele a tenha chamado de sua “bem amada cidade”. “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos” (Hb 13.2, ARC). “Não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque, com tais sacrifícios, Deus Se agrada” (Hb 13.16, ARC).

DETAIL: Martin Luther singing to Frau Cotta when he was a student in Eisenach (Luther als Kurrende-Sänger bei Frau Cotta / Luther singt als Kurrendeschüler vor Frau Cotta in Eisenach, Germany, 1499 / O jovem Lutero canta diante da senhora Ursula Cotta em Eisenach), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

Em Eisenach, Lutero concluiu seus estudos de latim. Não demorou muito e ele tornou-se o primeiro da sua classe em retórica, línguas e poesia. Quando o professor Trutvetter, da Universidade de Erfurt, visitou a escola, Martinho foi escolhido para proferir um discurso de boas vindas. Este contato contribuiu decisivamente para a sua ida para a Universidade.

DETAIL: Martin Luther singing to Frau Cotta when he was a student in Eisenach (Luther als Kurrende-Sänger bei Frau Cotta / Luther singt als Kurrendeschüler vor Frau Cotta in Eisenach, Germany, 1499 / O jovem Lutero canta diante da senhora Ursula Cotta em Eisenach), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

A casa conhecida como a da família Cotta é hoje a Lutherhaus (“Casa de Lutero”), perto do mercado em Eisenach. É uma antiga e ainda preservada casa de madeira na cidade e encontra-se aberta a visitas, embora ainda não se tenha estabelecido com segurança que esta foi realmente a residência onde Lutero viveu junto à família Cotta.

Na tela de Ferdinand Pauwels (1830-1904) Lutero aparece ao lado de outros três Carolers. Um deles canta com o olhar erguido ao céu; outros dois têm os olhos fixos na letra ou partitura. O jovem Lutero é o mais alto dos quatro, e o único que tem o olhar direcionado a Frau Cotta. O porte de Martinho é definidamente salientado; é ele quem tem a posse da partitura. Um dos garotos repousa a mão sobre o ombro de Martinho em sinal de evidente companheirismo. A senhora Cotta, assentada em uma grande cadeira, tem calado e sereno o semblante germânico e a mão direita repousada sobre a mesa coberta com uma toalha bordada. O braço esquerdo acolhe, provavelmente, o neto Johann Cotta, o Jovem (1490-1561), encostado em seu lado, em cujo ombro repousa a mão. Do pescoço pende o colar dourado com o emblema sacro do crucifixo, e as roupas  conjugam recato e riqueza. Na casa há livros, pena e tinteiro, um pequeno baú sobre a cômoda ao fundo e vê-se diversos papéis (?) na parede e ao lado da cômoda. A senhora Cotta tem uma pequena bolsa do seu lado direito, provavelmente de onde tirará o donativo para os jovens estudantes. Uma janela ao fundo permite a projeção da luz, não apenas sobre a partitura, mas também sobre a vida do pobre e sofrido estudante, que canta distante do seu lar.

Confira ainda: 1) Amigo de Lutero atingido por um raio – Ferdinand Pauwels, 2) Martinho Lutero Descobrindo a Justificação pela Fé – Edward Matthew Ward e 3) Erasmo, Lutero e o “Livre Arbítrio”. Recomendo ainda a leitura de “Os 500 anos da Reforma Protestante, que abalou o mundo”, pela jornalista Míriam Leitão, aqui.

Amigo de Lutero atingido por um raio – Ferdinand Pauwels

Luther’s friend struck by lightning (Luthers Freund vom Blitz erschlagen /Amigo de Lutero atingido por um raio), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

Luther’s friend struck by lightning (Luthers Freund vom Blitz erschlagen /Amigo de Lutero atingido por um raio), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels (German Belgian-born Academic Painter, 1830-1904), Oil on canvas, 120 × 120 cm, Wartburg Foundation (Wartburg-Stiftung), Eisenach, Germany.  

Martinho Lutero (1483-1546) viveu a sua infância em Eisenach, Alemanha, embora não tenha nascido na cidade. Na primavera de 1501, com apenas dezessete anos, ele deu início aos seus estudos na Universidade de Erfurt, cidade conhecida como “Roma Alemã” por causa do grande número de igrejas e mosteiros, vindo a residir perto do mosteiro agostiniano. Lutero estudou na Faculdade de Artes até janeiro de 1505. O jovem estudante graduou-se bacharel em Artes em 1501. Este parece ser um reconhecimento da escolaridade básica que Lutero havia recebido até aquele momento, visto que foi recebido no mesmo ano em que ele entrou na universidade. Concluiu o mestrado em Artes em 1505, sendo o segundo entre dezessete candidatos. Foi a partir desta data que seu pai, Hans Luther, começou a tratá-lo pela forma mais solene, isto é, por “Sie” (equivalente a “Senhor”) em vez de “Du” (Tu, Você). Obteve o conhecimento básico das chamadas “sete artes liberais”: Gramática, Retórica, Dialética, Aritmética, Geometria, Música e Astronomia. Foi encorajado pelo pai a continuar seus estudos na Faculdade de Direito.

No entanto, em 02 de julho de 1505, um acontecimento marcante teria direcionado a sua vida para outros caminhos. Depois de uma visita aos pais, no caminho de volta de Mansfeld para Erfurt, nas proximidades de Stotternheim, já próximo de Erfurt, o jovem estudante foi surpreendido por uma fortíssima tempestade. Eram muitas as descargas elétricas, e um raio caiu próximo de onde ele passava. Aterrorizado, teria então clamado: “Ajuda-me, Sant’Ana! Eu me tornarei um monge!” Tendo sobrevivido aos raios, sem voltar para casa e sem consultar sua família, deixou a faculdade, vendeu todos os seus livros, com exceção dos de Virgílio, e entrou para a ordem dos Agostinianos, no mosteiro de Erfurt, em 17 de julho de 1505. Nem os seus pais, e nem os seus amigos, conseguiram dissuadi-lo.

DETAIL: Luther’s friend struck by lightning (Luthers Freund vom Blitz erschlagen /Amigo de Lutero atingido por um raio), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

A tela de Ferdinand Pauwels (1830-1904) retrata Lutero em campo aberto, quando buscava o abrigo de uma árvore, e um relâmpago de repente o jogou no chão. A tela retrataria o exato momento em que ele dirigiu a Santa Ana o voto de tornar-se monge. Pauwels retrata um amigo de Lutero, provavelmente Conrad Wigand, atingido por um raio. O jovem Martinho cobre com a mão direita o olho direito e com a esquerda o ouvido esquerdo. Ajoelhado junto ao amigo estirado, sente a força do vento, o que é facilmente percebido pelo movimento das roupas e dos cabelos. A boina foi lançada ao chão. Ao fundo, a árvore “reclina-se humildemente” diante do vento. Lutero dirige o olhar para cima. Os lábios estão entreabertos. Estampada no rosto, a expressão daquela intensa experência fóbica – talvez o retrato das primeiras décadas de sua vida, entretanto.

DETAIL: Luther’s friend struck by lightning (Luthers Freund vom Blitz erschlagen /Amigo de Lutero atingido por um raio), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

Nos dias atuais, naquele local à leste de Stotternheim, um memorial em pedra relembra o evento. “Mais tarde ele contou a história como se o próprio céu o tivesse surpreendido”, escreve Christian Feldmann. Segundo este autor, Lutero já estava pensando em tornar-se um monge, e teria mais medo da reação de seu pai. “Um voto que havia sido tomado em situação de morte não era vinculativo, mesmo de acordo com a lei medieval da igreja”, conclui Feldmann.

DETAIL: Luther’s friend struck by lightning (Luthers Freund vom Blitz erschlagen /Amigo de Lutero atingido por um raio), 1872, Wilhelm Ferdinand Pauwels

Confira ainda: Martinho Lutero Descobrindo a Justificação pela Fé – Edward Matthew Ward e Erasmo, Lutero e o “Livre Arbítrio”. Recomendo ainda a leitura de “Os 500 anos da Reforma Protestante, que abalou o mundo”, pela jornalista Míriam Leitão, aqui.

A menina pastora de cabras – Meyer von Bremen

The little goat herder (Die Ziegenhirtin / A menina pastora de cabras), 1869, Johann Georg Meyer Von Bremen

The little goat herder (Die Ziegenhirtin / A menina pastora de cabras), 1869, Johann Georg Meyer Von Bremen (German Academic Painter, 1813-1886), oil on canvas, 58 × 48 cm (22.8 × 18.9 in), Private Collection. Large size here.

DETAIL: The little goat herder (Die Ziegenhirtin / A menina pastora de cabras), 1869, Johann Georg Meyer Von Bremen

DETAIL: The little goat herder (Die Ziegenhirtin / A menina pastora de cabras), 1869, Johann Georg Meyer Von Bremen

DETAIL: The little goat herder (Die Ziegenhirtin / A menina pastora de cabras), 1869, Johann Georg Meyer Von Bremen

Martinho Lutero Descobrindo a Justificação pela Fé – Edward Matthew Ward

Martin Luther Discovering Justification by Faith (Martinho Lutero Descobrindo a Justificação pela Fé), 1868, Edward Matthew Ward

Martin Luther Discovering Justification by Faith (Martinho Lutero Descobrindo a Justificação pela Fé), 1868, Edward Matthew Ward (English Academic Painter, 1816-1879), oil on canvas, Bob Jones University Museum & Gallery, Greenville, South Carolina, USA.

Eu fora tomado por uma extraordinária paixão em conhecer a Paulo na Epístola aos Romanos. Fazia-me tropeçar não a firmeza de coração, mas uma única palavra no primeiro capítulo: “A justiça de Deus é nele [no Evangelho] revelada” (Rm 1.17). Isso porque eu odiava esta expressão “justiça de Deus”, pois o uso e o costume de todos os professores me havia ensinado a entendê-la filosoficamente como justiça formal ou ativa (como a chamam), segundo a qual Deus é justo e castiga os pecadores e injustos. Eu não amava o Deus justo, que pune os pecadores; ao contrário, eu o odiava. […] Aí Deus teve pena de mim. Dia e noite eu andava meditando, até que, por fim, observei a relação entre as palavras: “A justiça de Deus é nele revelada, como está escrito: o justo vive de fé”. Aí passei a compreender a justiça de Deus como sendo uma justiça pela qual o justo vive através da dádiva de Deus, ou seja, da fé. Comecei a entender que o sentido é o seguinte: Através do evangelho é revelada a justiça de Deus, isto é, a passiva, através da qual o Deus misericordioso nos justifica pela fé, como está escrito: “O justo vive por fé”. Então me senti como que renascido, e entrei pelos portões abertos do próprio paraíso.

[Martinho Lutero, 1483-1546, monge agostiniano e professor de teologia germânico que se tornou reformador e ministro protestante. Citação extraída da introdução da primeira edição de suas obras em latim em 1545. Cf: “A Epístola do Bem-aventurado Apóstolo Paulo aos Romanos”. In: Martinho Lutero; Obras selecionadas. vol. 8. Trad. Luís H. Dreher. São Leopoldo/RS: Sinodal, RS: Concórdia, 2003, pp. 242-243. Recomendo a leitura de “Os 500 anos da Reforma Protestante, que abalou o mundo”, pela jornalista Míriam Leitão, aqui.]

Volta às Trincheiras – Eliseu Visconti

Volta às Trincheiras (Back to the Trenches), ca. 1917, Eliseu Visconti

Volta às Trincheiras (Back to the Trenches), ca. 1917, Eliseu Visconti (Pintor brasileiro, 1866-1944), óleo sobre tela, 95 x 125 cm, Fundação Edson Queiroz, Universidade de Fortaleza, Fortaleza, CE, Brasil. Tamanho grande aqui.

DETAIL: Volta às Trincheiras (Back to the Trenches), ca. 1917, Eliseu Visconti

DETAIL: Volta às Trincheiras (Back to the Trenches), ca. 1917, Eliseu Visconti

Volta às Trincheiras (Back to the Trenches), ca. 1917, Eliseu Visconti

Paisagem Montanhosa com Pastor e Rebanho – Thomas Gainsborough

Mountain Landscape With Shepherd (Landschaft mit Hirt und Herde / Paisagem Montanhosa com Pastor e Rebanho), 1784, Thomas Gainsborough

Mountain Landscape With Shepherd (Landschaft mit Hirt und Herde / Paisagem Montanhosa com Pastor e Rebanho), 1784, Thomas Gainsborough (English Rococo Era/Romantic Painter, 1727-1788), oil on canvas, 120.7 x 148 cm, Neue Pinakothek, Munich, Germany.

DETAIL: Mountain Landscape With Shepherd (Landschaft mit Hirt und Herde / Paisagem Montanhosa com Pastor e Rebanho), 1784, Thomas Gainsborough

Menina Escutando à Porta – Meyer von Bremen

“Os olhos não se saciam de ver, nem os ouvidos se fartam de ouvir”.

(Eclesiastes 1.8b)

Girl listening at the door (“Girl Listening” / “Little girl listens at the door” / Mädchen an der tür lauschend), 1866, Johann Georg Meyer Von Bremen

Girl listening at the door (“Girl Listening” / “Little girl listens at the door” / Mädchen an der tür lauschend / Menina Escutando à Porta), 1866, Johann Georg Meyer Von Bremen (German Academic Painter, 1813-1886), Oil on canvas, 43 x 35 cm (16.9 x 13.8 in.), Private Collection.

DETAIL: Girl listening at the door (“Girl Listening” / “Little girl listens at the door” / Mädchen an der tür lauschend), 1866, Johann Georg Meyer Von Bremen

DETAIL: Girl listening at the door (“Girl Listening” / “Little girl listens at the door” / Mädchen an der tür lauschend), 1866, Johann Georg Meyer Von Bremen